09/05/2010

The Ramones - Pleasant Dreams (1981)

Eu sou realmente suspeito para falar, porque Ramones é com certeza uma das minhas bandas favoritas. Mas é indiscutível a influência deles no rock, já que além de terem inventado o Punk Rock, praticamente todo gênero de rock surgido depois do punk (aí inclua Grunge, Hardcore, Indie) sofreu influência direta dos Quatro Rapazes de Liverpool New York, com seu som Loud & Fast, sua filosofia Do It Yourself e principalmente com seu jeito de se vestir, com jaquetas de couro o jeans rasgados.

Ok ok, mas nesse disco a história foi diferente. Cansados de ralar muito e não vender nada, em 1980 eles decidiram contratar Phil Spector (o mesmo que produziu Let It Be, que você pode ler mais sobre aqui) para produzir seu disco entitulado End Of The Century, para ele dar uma adoçicada nas músicas, fazer algo comercial. Porém, assim como houve com os Beatles, o resultado não foi lá aquela maravilha, e só agradou de verdade à Joey Ramone (vocal), e acabou que o disco fez lá seu sucesso, mas não foi o que eles queriam.

Assim, houve um consenso de que o próximo disco deveria ser sim comercial, mas sem abandonar o velho espírito Punk. Isto posto, decidiram contratar Graham Gouldman para produzir, e então foram escolhidas 12 faixas para figurar no LP.

O disco é bem lembrado por nele conter um dos maiores sucessos do grupo, a canção "The KKK Took My Baby Away", cuja letra fala sobre Linda, a namorada de Joey que o trocou pelo guitarrista da banda, Johnny Ramone.

Além dela, praticamente todas as músicas do álbum se tornaram sucessos de maior ou menor escala, como "We Want The Airwaves" (cuja produção e divulgação foi MUITO forte), She's A Sensation, "7-11" e "It's Not My Place (In The 9 to 5 World)".

Além das 12 músicas do LP original, nesta versão também há algumas canções extras, com destaque para as versões de "Touring" e "I Can't Get You Outta My Mind", que foram aparecer no álbum Mondo Bizarro e Brain Drain (respectivamente), de 1992 e 1989, os maiores sucessos da banda.


  1. "We Want the Airwaves" (Joey Ramone) – 3:22
  2. "All's Quiet on the Eastern Front" (Dee Dee Ramone) – 2:14
  3. "The KKK Took My Baby Away" (Joey Ramone) – 2:32
  4. "Don't Go" (Joey Ramone) – 2:48
  5. "You Sound Like You're Sick" (Dee Dee Ramone) – 2:42
  6. "It's Not My Place (In the 9 to 5 World)" (Joey Ramone) – 3:24
  7. "She's a Sensation" (Joey Ramone) – 3:29
  8. "7-11" (Joey Ramone) – 3:38
  9. "You Didn't Mean Anything to Me" (Dee Dee Ramone) – 3:00
  10. "Come On Now" (Dee Dee Ramone) – 2:33
  11. "This Business Is Killing Me" (Joey Ramone) – 2:41
  12. "Sitting in My Room" (Dee Dee Ramone) – 2:30

Bonus Tracks :D

  1. "Touring (1981 version)" (Joey Ramone) – 2:49
  2. "I Can't Get You Out of My Mind" (Ramones) – 3:24
  3. "Chop Suey (Alternate Version)" (Joey Ramone) – 3:32
  4. "Sleeping Troubles (Demo)" (Ramones) – 2:07
  5. "Kicks to Try (Demo)" (Ramones) – 2:09
  6. "I'm Not an Answer (Demo)" (Ramones) – 2:55
  7. "Stares in This Town (Demo)" (Ramones) – 2:26


Nirvana - Incesticide (1992)

Smells Like Teen Spirit, Come As You Are, Lithium. Não, Nirvana não se resume a isso. E esse disco comprova o fato, mostrando toda a vertente punk/metal da banda, desde as primeiras gravações, como "Big Long Now" e "Beeswax", músicas consagradas como "Sliver" e "Dive", as covers "Molly's Lips", "Son Of A Gun" e "Turnaround", além de outras músicas que não entraram em outros álbuns e mais uns B-Sides. 

Muitos chamam Incesticide de um disco de "sobras de estúdio", mas não sei, muitas músicas desse álbum são até de qualidade superior (ao menos na minha visão) do que algumas de álbum "normais", fora o fato de ele ter sido lançado em '92, quando o Nirvana ainda estava com a corda toda com o sucesso de seu segundo disco (assim não havendo necessidade do lançamento de um álbum de sobras). 

Ademais disso, o disco não teve uma boa receptividade, já que o mundo ainda estava na onda do Nevermind, sucesso que se estendeu até o lançamento de In Utero, o último disco de estúdio desta banda que revolucionou as estruturas do rock nos anos 90.


"Dive" – 3:55
"Sliver" – 2:16
"Stain" – 2:40
"Been a Son" – 1:55
"Turnaround" – 2:19
"Molly's Lips" – 1:54
"Son of a Gun" – 2:48
"(New Wave) Polly" – 1:47
"Beeswax" – 2:50
"Downer" – 1:43
"Mexican Seafood" – 1:55
"Hairspray Queen" – 4:13
"Aero Zeppelin" – 4:41
"Big Long Now" – 5:03
"Aneurysm" – 4:36



24/04/2010

Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That's What I Am Not (2006)

Indie, indie, indie. Aonde quer que você vá, você escuta essa expressão. E são muitas as bandas indies, The Hives, Vivendo do Ócio, entre outras. Mas daonde isso começou? Muitos dizem que foi com os Strokes, mas outros tantos falam que foi com essa banda, e com esse álbum. Eu considero esse álbum como um marco no indie rock e no rock 2000's, a partir dele aquele estereótipo indie de experimentalismo e chatice foi abandonado. No melhor estilo "Guitarra-Baixo-Bateria-Vocal" eles fizeram o, na minha opinião, melhor disco de 2006, com baladas como "Still Take You Home" e "Riot Van", loucuragens cool como "The View From The Afternoon" e "I Bet You Look Good On The Dancefloor" resultam num ótimo álbum, dançante e envolvente, que assim como o álbum posterior (Favourite Worst Nightmare, 2007), é recheado de hits e dancing songs, ótimo pra quem gosta de um indie no estilo The Hives, The Strokes e Vivendo do Ócio.


  1. "The View from the Afternoon"
  2. "I Bet You Look Good on the Dancefloor"
  3. "Fake Tales of San Francisco"
  4. "Dancing Shoes"
  5. "You Probably Couldn't See for the Lights But You Were Staring Straight at Me"
  6. "Still Take You Home"
  7. "Riot Van"
  8. "Red Light Indicates Doors Are Secured"
  9. "Mardy Bum"
  10. "Perhaps Vampires Is a Bit Strong But..."
  11. "When the Sun Goes Down"
  12. "From the Ritz to the Rubble"
  13. "A Certain Romance"


16/04/2010

Steppenwolf - Steppenwolf (1968)

Antes de tudo, desculpa pela ausência temporária no blog, a correria é tensa por aqui as vezes :D


"BOOOOOOOORN TO BE WIIIIIIIIIILD!" hehe, que rockeiro nunca se pegou cantando esse refrão? E sim, poucos deles sabem, mas quem gravou essa canção foram os bluesrockers do Steppewolf.Com uma proposta de unir o mais puro heavy metal com blues, a banda vem desde 1967 na ativa, e este primeiro disco sintetiza toda a carreira deles. Hits do blues como "(I'm Your) Hoochie Coochie Man" (Muddy Waters) envenenados com guitarras distorcidas, a homenagem à Chuck Berry em "Berry Rides Again", o blues perfeito de "Your Wall's Too High" e, claro, "Born To Be Wild", além de outros números fantásticos, fazem desse disco o melhor disco de blues-rock que eu já ouvi (claro, essa é a MINHA opinião, mas mesmo assim, vale muito a pena dar uma conferida). :D

P.S.: desculpa se eu não escrevi muito sobre o Steppenwolf, é que eu realmente não conheço muito da banda, mas se lhe interessa saber mais (e você manja um pouco de inglês), dá uma lida aqui na Wikipedia gringa, que tem bastantinha coisa sobre eles.) Steppenwolf (band) - Wikipedia (English)

P.S.²: o Steppenwolf já teve muitas formações, mas a clássica (e que gravou esse disco) é:

John Kay – rhythm guitar, harmonica, lead vocals
Michael Monarch – lead guitar, backing vocals
Rushton Moreve – bass, backing vocals
Goldy McJohn – keyboards, backing vocals
Jerry Edmonton – drumslead vocals



01 - Sookie Sookie
02 - Everybody's Next One
03 - Berry Rides Again
04 - (I'm Your) Hoochie Coochie Man
05 - Born To Be Wild
06 - Your Wall's Too High
07 - Desperation
08 - The Pusher
09 - A Girl I Knew
10 - Take What You Need
11 - The Ostrich


10/04/2010

O Sonho Acabou?

Era uma tarde fria de abril, tal como hoje. Tantas pessoas foram ao trabalho, tantas outras ficaram em casa, quase tudo no dia 14/4 de 1970 foi normal. Mas algo no frio vento da capital Londres estava diferente. Um ar de tristeza pairava sobre as árvores, algo de diferente se notava. Sete anos antes, se aqueles quarteto de scousies tivesse decidido parar de tocar juntos, não haveria razão de Londres, da Inglaterra, do Mundo chorarem e se perguntarem por que. Mas eles não eram mais aqueles quatro garotos do proletariado de Liverpool. 

As suas músicas encantavam, suas canções de dois minutos e meio eram enérgicas, suas baladas de 4:00 eram encantadoras, e a cada álbum que aqueles moleques lançavam, eles maravilhavam o mundo, e atingiam um patamar antes jamais alcançado na música. Mais do que símbolos musicais, mais do que meros sex symbols, eles representavam uma legião, uma geração, todo um grupo que de pouco em pouco, causou um sentimento de revolução dentro daquela contra-cultura criada. É, eram eles, os mesmos garotos de Liverpool, agora símbolos de juventude, antes de ternos desalinhados, outrora loucos de roupas coloridas com flores e diamantes, ou todos trajados de branco. Parecia que tudo o que eles vestiam/faziam/ouviam/falavam/inventavam virava moda, tudo o que eles pensavam outros tantos pensavam, parecia que o mundo girava em torno de John, Paul, George e Ringo, e a música era só uma parte de tudo aquilo, só a expressão clara do pensamento de todos; "all you need is love", "i wanna hold your hand", "everybody's got something to hide", "you should see polythene pam". Seja qual fosse a mensagem que eles cantassem, todos repetiam, filosofavam, cantarolavam com um violão em mãos, viviam. 

Mas de repente, tudo pareceu perdido. De uma hora pra outra, The Beatles pertencia ao passado. Agora eram John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Aquilo pareceu tão repentino para todos. Bem, para todos menos eles. Paul tinha consciência que o grupo que ele amava tinha acabado, John sabia que a banda que ele fundou havia afundado, Ringo já não aceitava ser tão eclipsado, sendo que ele amava tanto o que fazia. E George, bem, George estava em paz, transcendia como pessoa, e aquele grupo só o prendia no chão, impedindo-o de voar.

Muitos tentam culpar Yoko Ono, o eterno amor de Johnny, alguns culpam Allen Klein, o "maléfico" empresário. Ok, eles devem ter a sua parcela de culpa, mas o fim dos Beatles começou antes. Pode ter começado em 65, quando Paul e John começaram a parar de compor juntos. Pode ter sido em 66, quando pararam de fazer shows. Ou em 67, quando o genial Brian Epstein morreu. Mas a grande verdade, é que os Beatles acabaram muito antes do fatídico 14/4/1970.

And In The End
The Love You Take
Is Equal To The Love
You Make

05/04/2010

[OFF] Garota Tantão ¬¬


P.S.: Desculpem a linguagem menos formal, mas é um desabafo em off mesmo, não é necessária tanta formalidade :D

Realmente, eu perdi a vontade de viver enquanto via esse vídeo. Como ISSO aí tem coragem de citar o nome do John Lennon? Esse cara lá sabe quem é John Lennon? Sério, eu achava que o Calypso era a pior depravação da "música" brasileira, mas eu não canso de me surpreender '-' Tanto trabalho que as  bandas BOAS tem pra fazer um material de qualidade, chega um otário desse com quatro gostosas rebolando e faz sucesso ¬¬ Realmente, depois reclamam por que que a música estrangeira faz tanto sucesso nesse país. PELO AMOR DE DEUS CARA, PRESERVEM A MEMÓRIA DO JOHN LENNON, VAI!

Eu só não consigo entender como essa besteira faz sucesso, isso me faz pensar que a música foi realmente abandonada pelas massas como forma de arte, e virou pura e simplesmente diversão. E diversão, se acompanhada de umas mulheres e uma letra idiota feita pra rir vai muito melhor, não? Até quando esses assassinatos à música brasileira vão continuar a serem executados? Quando que Créu, Piriguete, Tantão e tantas outras modinhas ridículas que vem e vão irão parar de acabar com a qualidade musical desse país? A gente precisa mesmo ouvir essas porcarias e bater palma dizendo "Opa, viva a música brasileira, sempre tão diversificada!"? Me desculpe, mas eu vou ali ouvir meu Beatles e pagar um pau pra música estrangeira, porque por aqui a coisa anda complicada.

01/04/2010

The Beatles - Let It Be... Naked! (2003)

O ano era 1969, a tensão entre Paul, John, George e Ringo era gigante, os Beatles só se mantinham como banda em respeito aos anos de amizade e ao amor à música. Em meio a toda essa tensão, Paul apareceu com um novo projeto, para acabar com as brigas e a individualidade que marcaram o álbum The Beatles (ou Álbum Branco) em 1968. Esse projeto seria denominado Get Back, e seria algo como uma volta as origens, com covers de ídolos dos anos 50, tal como um remake de velhas canções dos Beatles. Para o projeto também estava incluído um filme, que mostraria o making-of da produção do disco, uma ideia pioneira naqueles tempos. Porém, após algumas sessões de audição, com Jam-sessions e tal, Get Back teve de ser cancelado, pois os Beatles já estavam trabalhando em um novo disco. Então eles decidiram meio que juntar os dois projetos em um só, e o que era Get Back virou Let It Be.

Da época do Get Back, foram retomadas principalmente a música One After 909, que foi uma das primeiras escritas pela dupla Lennon/McCartney e permanecia inédita, e a faixa título Get Back, que virou um dos grandes hits da banda. Depois, vieram intensas semanas de trabalho com o projeto, que consistia em tentar reproduzir um show, porém no estúdio, com diálogos e tudo mais. Trabalho terminado (ou quase), o grupo decidiu mandar o trabalho para o produtor Phil Spector (já que o produtor fixo dos Beatles, George Martin, havia largado mão da banda por não ter espaço, mas voltaria para produzir Abbey Road) dar o seu toque final às canções.

Com o seu esquema da parede de som (uma orquestra que acompanha as músicas), ele enfeitou o disco até não poder mais. Depois do trabalho feito por ele, o material foi enviado de volta aos Beatles, e as opiniões foram divididas. George e Ringo ficaram meio divididos, Paul odiou MESMO, e John, creio que mais para discordar de McCartney, disse ter adorado (logo ele, que odiava frescuras). Paul fez de tudo para tirar a produção de Phil do disco que seria lançado, porém os Beatles já estavam envolvidos em outro projeto iniciado enquanto Phil endoçava Let It Be, que ficaria conhecido como Abbey Road, que por ter ficado pronto mais ligeiramente, acabou engavetando o Let It Be (que foi gravado antes e lançado depois). Porém, com as permanentes tensões, saídas repentinas e brigas colossais, os Beatles acabaram se separando, num dos momentos mais tristes da história da música. Mas ainda havia uma carta final na manga da Apple: Let It Be, o disco outrora deixado de lado, foi lançado (após alguns detalhes finais) em 1970, sendo o último álbum dos Beatles a ser lançado na discografia original.

Mas mesmo com o passar das décadas, sir McCartney nunca tinha se contentado com o lançamento, e eis que no ano de 2002 as fitas originais de Let It Be caem em suas mãos. Com o aval de George Martin (que havia produzido parte das faixas antes de serem mandadas para Spector), Harrison (que já estava no fim de sua vida, e muito debilitado por seu cancêr) e Ringo, em 2003 é lançado "Let It Be... Naked!", com 11 faixas (excluindo "Maggie Mae" e "Dig It!", que eram mais colagem de sons do que qualquer coisa, e adicionando "Don't Let Me Down", música tocada no histórico show na laje da Apple em 30 de Janeiro de 1969), finalmente agradando à Paul.

O disco em si, pra mim ao menos, beira a perfeição, baladas como "Let It Be" e  "Two Of Us", rocks enérgicos como "Get Back" e "I've Got A Feeling", baladas calmas e reflexivas ao estilo de "The Long And Widing Road" e "Across The Universe", fora o imenso talento versátil de Harrison, com o blues de "For You Blue" e o heavy de "I Me Mine", a engraçada história de amor em "One After 909", além de lindas declarações em "Don't Let Me Down" e "Dig A Pony" fazem desse disco um dos melhores da história, esteja ele trajado ou não.

P.S.: O filme "Get Back" acabou sendo lançado com o nome Let It Be um tempo depois, e as cenas mostram brigas entre eles, algumas jam sessions da época do Get Back, e alguns vídeos deles gravando as músicas do Let It Be, além do show na laje da Apple na íntegra :D


01 - Get Back
02 - Dig A Pony
03 - For You Blue
04 - The Long And Widing Road
05 - Two Of Us
06 - I've Got A Feeling
07 - One After 909
08 - Don't Let Me Down
09 - I Me Mine
10 - Across The Universe
11 - Let It Be