Era uma tarde fria de abril, tal como hoje. Tantas pessoas foram ao trabalho, tantas outras ficaram em casa, quase tudo no dia 14/4 de 1970 foi normal. Mas algo no frio vento da capital Londres estava diferente. Um ar de tristeza pairava sobre as árvores, algo de diferente se notava. Sete anos antes, se aqueles quarteto de scousies tivesse decidido parar de tocar juntos, não haveria razão de Londres, da Inglaterra, do Mundo chorarem e se perguntarem por que. Mas eles não eram mais aqueles quatro garotos do proletariado de Liverpool. As suas músicas encantavam, suas canções de dois minutos e meio eram enérgicas, suas baladas de 4:00 eram encantadoras, e a cada álbum que aqueles moleques lançavam, eles maravilhavam o mundo, e atingiam um patamar antes jamais alcançado na música. Mais do que símbolos musicais, mais do que meros sex symbols, eles representavam uma legião, uma geração, todo um grupo que de pouco em pouco, causou um sentimento de revolução dentro daquela contra-cultura criada. É, eram eles, os mesmos garotos de Liverpool, agora símbolos de juventude, antes de ternos desalinhados, outrora loucos de roupas coloridas com flores e diamantes, ou todos trajados de branco. Parecia que tudo o que eles vestiam/faziam/ouviam/falavam/inventavam virava moda, tudo o que eles pensavam outros tantos pensavam, parecia que o mundo girava em torno de John, Paul, George e Ringo, e a música era só uma parte de tudo aquilo, só a expressão clara do pensamento de todos; "all you need is love", "i wanna hold your hand", "everybody's got something to hide", "you should see polythene pam". Seja qual fosse a mensagem que eles cantassem, todos repetiam, filosofavam, cantarolavam com um violão em mãos, viviam.
Mas de repente, tudo pareceu perdido. De uma hora pra outra, The Beatles pertencia ao passado. Agora eram John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Aquilo pareceu tão repentino para todos. Bem, para todos menos eles. Paul tinha consciência que o grupo que ele amava tinha acabado, John sabia que a banda que ele fundou havia afundado, Ringo já não aceitava ser tão eclipsado, sendo que ele amava tanto o que fazia. E George, bem, George estava em paz, transcendia como pessoa, e aquele grupo só o prendia no chão, impedindo-o de voar.
Muitos tentam culpar Yoko Ono, o eterno amor de Johnny, alguns culpam Allen Klein, o "maléfico" empresário. Ok, eles devem ter a sua parcela de culpa, mas o fim dos Beatles começou antes. Pode ter começado em 65, quando Paul e John começaram a parar de compor juntos. Pode ter sido em 66, quando pararam de fazer shows. Ou em 67, quando o genial Brian Epstein morreu. Mas a grande verdade, é que os Beatles acabaram muito antes do fatídico 14/4/1970.
And In The End
The Love You Take
The Love You Take
Is Equal To The Love
You Make
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