09/10/2010

Profile #003 - John Lennon



Nome: John Winston Lennon 
Nascimento/Falecimento: (★Liverpool, England, 09 de outubro de 1940/†New York City, 08 de dezembro de 1980, 40 anos)

09/10/1940. Em meio à Segunda Guerra Mundial, Liverpool era bombardeada por aviões nazistas. Pessoas corriam pelas escuras ruas da cidade buscando um abrigo, um lugar para escapar daquilo que podia ser sua morte, numa completa confusão. Entre essas pessoas havia uma, Mary Smith (ou simplesmente "Mimi"), que corria no escuro não apenas para escapar do ataque, mas para chegar à maternidade de Liverpool, onde sua irmã Julia havia acabado de dar a luz a um menino, John Winston Lennon (o nome vinha de seu avô paterno, John "Jack" Lennon).

Assim que Mimi viu John pela primeira vez, logo percebeu que ela seria mais mãe dele do que Julia. E de fato, como Alfred Lennon (pai de John) abandonou Julia quando John ainda era muito pequeno, ela acabou tendo um descaso grande com seu filho e saía pelas noites de Liverpool, para trabalhar e, muitas vezes, se divertir com outros homens, enquanto Mimi cuidava de John.

Lennon cresceu em meio a essa confusão familiar. Sua mãe pouco ligava pra ele, sua tia Mimi, embora fosse muito carinhosa, era exigente até demais com seu sobrinho, e seu pai o havia abandono quando criança. Então, naturalmente, de acordo com que os anos iam passando e John tomava consciência do que passava a sua volta, ia se rebelando cada vez mais com sua família. Pouco ligava pra escola, e passava seus dias fazendo piadas sujas com seus amigos enquanto gazeava aula. E, também naturalmente, gostava de rock, o bom e velho rock'n'roll. A música rebelde de Elvis Presley fez com que Lennon se identificasse desde a primeira vez que o ouviu. Passava horas tentando sintonizar a rádio Luxemburgo (a única rádio de Liverpool que passava programações de rock, já que a BBC se negava a passar este tipo de música), arranjava LPs de rock com seus amigos, e é normal que uma hora ele quisesse ter sua própria banda.

Mas o rock não era exatamente o que fazia sucesso em Liverpool na época. O skiffle, um híbrido entre rock e música inglesa, era a moda do momento. Lennon logo arranjou um banjo com sua mãe, que mais interessada no filho, lhe ensinou a tocar 3 acordes (G, C e D7). Logo, desinteressado no banjo, John arranjou um violão, e tentava tocar os clássicos que ouvia na Luxemburgo no seu instrumento, com os acordes de banjo que sabia. Lennon arranjou outros amigos interessados em ter uma banda, e logo tinha seu grupo de skiffle pronto: The Quarrymen, cujos integrantes eram Eric Griffiths, Colin Hanton, Rod Davis, Pete Shotton, Len Garry, e claro, Lennon.


A banda tocava em cinemas, festas de amigos e quaresmas. E foi exatamente numa quaresma em que a Quarrymen tocou, que John conheceu um amigo de Ivan Vaughan (um amigo próximo), chamado Paul McCartney. À primeira vista, Lennon o achou meio convencido, cheio de si, mas assim que McCartney tocou uma versão de "Twenty-Flight Rock" de Eddie Cochran, John já gostou dele. E não demorou muito para que Lennon o chamasse para tocar na Quarrymen. Paul topou, e a banda melhorou consideravelmente de nível. Aos poucos, por influência de McCartney, a banda ia trocando o repertório skiffle por um completamente rock. Iam trocando a tábua de passar roupa e baixo de caixa de chá (típicos de skiffle) por instrumentos de verdade, enfim, se tornando uma banda um pouco mais séria.


Até que um dia McCartney viu um moleque de 14 anos de sua escola tocando guitarra. Paul ficou impressionado com a habilidade dele, e quis chamá-lo para a banda. John foi meio contra, por ele ser mais novo, mas acabou aceitando. E, agora com esse garoto chamado George Harrison na banda, eles podiam seguir em frente.


Mas, alguns meses depois de Harrison ter entrado na banda, uma fatalidade ocorreu. Eric Griffiths havia encontrado Julia (mãe de Lennon) num cruzamento. Conversou um pouco com ela, e seguiu em frente. Porém, um pouco depois, tudo o que viu foi um forte barulho, e o corpo de Julia sendo arremessado para longe. Ela morreu aos 44 anos, atropelada por um policial fora de serviço. A morte de Julia traumatizou John imensamente, e meio sem querer ele culpou Eric Griffiths por sua morte, o que ele mesmo sabia que não era verdade. Mimi percebeu que a morte de Julia mudou consideravelmente a personalidade de seu sobrinho, e se aproximou mais dele, mesmo que abalado com esse trauma (e pelo fato de ele ser um adolescente) ele procurasse o apoio de seus amigos, e não de sua tia.


Lennon era o típico adolescente revoltado, o que naquela época chamavam de teddy boy. Mudava frequentemente de colégios, enfrentava professores, fumava, bebia, usava roupas de couro e gostava de rock. E numa dessas trocas de colégio, após falhar em um GCE (General Certificate of Education), Lennon foi parar no Liverpool College of Art, e lá assumiu de vez seu estilo teddy boy. Ia bem apenas em algumas matérias, e passava grande parte de seu dia num refeitório com seus amigos Paul McCartney, Cynthia Powell (mais tarde sua esposa) e um jovem aspirante a pintor, Stuart Sutcliffe. John queria que Stu entrasse para os Quarrymen, mas ele relutava. Mas acabou entrando, para tocar baixo elétrico. Nessa época (1958-1959) a banda já tocava severamente em shows. Tocavam em lugares como o Jacaranda Cafe e o Casbah Club, bares de jovens liverpoolianos. A dona do Casbah, Mona Best, tinha um filho também aspirante a músico, Pete Best. Ele tinha uma bateria completa, um luxo na época. 


A amizade com os meninos da Quarrymen foi crescendo, alguns integrantes da Quarry skiffle tinham saído da banda, e quando menos perceberam Pete já estava tocando na banda. Agora eram 5; John, Paul, George, Stu e Pete. Faziam shows periodicamente no Casbah e num novo clube de jazz da cidade, um tal de Cavern Club. Os anos se passaram, e de 1958 até 1960 eles tocaram nos mesmos lugares. Stu sugeriu que eles mudassem de nome, pois Quarrymen era referência clara à escola que John estudara (Quarry Bank High School), e assim eles seriam eternamente uma banda de colégio. O mesmo Stu sugeriu The Beetles, em homenagem à banda de Buddy Holly (The Crickets), o John sugeriu o trocadilho com a palavra beat. E pronto, estava feito. The Beatles.


Em agosto de 1960 surgiu uma oportunidade para a banda: Vários grupos de Liverpool iriam para Hamburgo para se apresentar periodicamente em clubes como o Kaiserkeller, o Star-Club, o Top Ten, entre outros. O quinteto aceitou de cara o convite, e logo que chegaram na cidade, logo viram a realidade que iriam enfrentar: St. Pauli, o bairro onde os clubes que eles iriam tocar ficava, era o centro de prostituição da cidade, um lugar sujo e mal-frequentado, com bêbados cambaleando pelas ruas. Mas isso era o de menos, a banda estava em outro país pra fazer shows periódicos em bares da cidade. Mas logo quando deram o primeiro show perceberam o quão difícil seriam os meses que se passariam. A banda tinha de fazer longas jam-sessions, às vezes chegavam a tocar 08, 10 horas por dia, e para não cair no sono em pleno palco, tiveram que tomar sua primeira droga, as anfetaminas Preludin, que os deixava ligados por horas.


A rotina em Hamburgo era extremamente desgastante, mas deu experiência e presença de palco para os Beatles. John, no meio daquilo tudo, "namorava" Cynthia Powell, que mais tarde se tornaria sua esposa, mas a quantidade de strippers e prostitutas que rodeavam os clubes da cidade alemã era tão grande, que ele pouco ligava para ela. A filosofia sex, drugs & rock'n'roll era seguida à risca pela banda. Porém a polícia de  lá não simpatizava muito com os meninos, e com a desculpa de que eles não tinham visto de trabalho na cidade, e como Harrison ainda tinha 17 anos, a banda foi deportada de volta para Liverpool. Em 1961, quando George já tinha 18, eles voltaram para mais uma "turnê" em Hamburgo, porém acabaram ficando com apenas 4 integrantes. Stu, desde a primeira vez que foi à Hamburgo namorou com a fotógrafa (e responsável pelo corte de cabelo beatle) Astrid Kirchherr, e decidiu abandonar o posto de baixista do quinteto para se dedicar à sua arte e à Astrid.


Antes de voltar para Liverpool, o agora quarteto ainda gravou um CD como banda de apoio de um músico que conheceram chamado Tony Sheridan, e tiveram seu ligar ao sol em músicas como "Ain't She Sweet", "Cry For A Shadow" e "My Bonnie"


De volta a Liverpool, os Beatles continaram sua velha jornada entre o Cavern Club e o Casbah. Lennon, para se diferenciar das bandas cover ruim de Liverpool, decidiu tentar escrever suas próprias músicas. McCartney já fazia isso, mas nada muito relevante. E juntos, a dupla fazia algumas composições, como "Hello Little Girl", "Like Dreamers Do" e "Love Me Do".


Um dia, mais precisamente 9/11/1961 os Beatles estavam tocando como sempre no Cavern. O mesmo repertório, as mesmas piadinhas em cima do palco, tudo natural. Mas um senhor numa mesa escura lá no fundo do bar não era só mais um frequentador. Vindo a convite de um amigo em comum, o empresário Brian Epstein prestava severa atenção naqueles quatro moleques de jaqueta de couro que tocavam no palco. Epstein era amante de blues e jazz, e achou toda aquela barulheira da banda um grande lixo, mas acreditou que havia futuro naquilo.


Após o show, Brian contatou a banda, que hesitou, mas aceitou que Brian fosse seu empresário. E a primeira atitude dele foi mudar o visual e a presença de palco dos Beatles. Nada de jaquetas de couro, nada de cuspir no público ou beber enquanto toca. Nada disso, daquele dia em diante eles usariam apenas ternos, tocariam sobre um formato, sem improvisações nem nada assim, enfim, seriam uma banda séria. Epstein manteve, visualmente, apenas os cabelos "tigela" que eles haviam adquirido em Hamburgo, e também quis manter as piadas que eles faziam no palco.


John achava aquilo de ser comportadinho um saco, mas como o resto da banda estava de acordo com Brian, ele acabou aceitando. Ele ainda passava por uma época de rebeldia, e achava tudo aquilo meio chato, mas entendia. Seu relacionamento com Cynthia ficava cada vez mais sério, e via-se que logo iriam se casar. John, embora fosse um pouco infiel, gostava muito de Cynthia.


Em 1962 aconteceram alguns fatos que mudaram a vida dele e dos outros beatles para sempre. Já em Primeiro de Janeiro, fizeram uma frustrada audição na Decca Records (arranjada por Epstein), e mais pro meio do ano fizeram uma outra audição na Parlophone/EMI. O dono do selo Parlophone era um produtor ainda novo no ramo, um tal de George Martin. Ele ouviu atenciosamente a banda, e aceitou contratá-los, com a condição de que eles comprassem instrumentos melhores e trocassem de baterista, que ele achou horrível.


Pete saiu um pouco ressentido da banda, e grande parte dos fãs da banda se desapontou, pois adoravam o baterista. Mas logo que ele saiu, foi substituído por uma baterista muito melhor, que antes tocava no Rory Storm & the Hurricanes, o tal Richard Starkey, conhecido como Ringo Starr, por causa dos anéis que usava.


No final de '62, começaram a aparecer em programas de TV, gravaram dois singles ("Love Me Do/P.S. I Love You" e "Please Please Me/Ask Me Why"), que levaram a banda à fama regional. Ringo demorou para ser aceito pelos fãs, mas acabou se enturmando, por ser calmo, engraçado e humilde.


Mas, na vida de John, a maior mudança em 1962 foi a notícia de que Cynthia estava grávida. John reagiu instantaneamente pedindo Cyn em casamento, e dia 23/08/1962 eles se casaram. No começo de 1963 nasce Julian Lennon, e John e Cyn vão morar juntos. Os Beatles iam crescendo cada vez mais, lançaram mais um compacto ("From Me To You/Thank You Girl"), e aí o sucesso começou a crescer de verdade. Shows em lugares grandes, em outras cidades, fãs histéricas, era o início da beatlemania.


John respondia positivamente a este sucesso. Adorava as meninas enlouquecendo por ele, adorava o dinheiro que entrava, adorava os shows, adorava tudo que rodeava os Beatles. Em março de '63 é lançado o primeiro LP da banda, Please Please Me, que atingiu o 1° lugar nas paradas inglesas. Sucessos instantâneos do quarteto de Liverpool invadiam todo dia as rádios de toda a ilha da rainha. "She Loves You", "I'll Get You", "From Me To You", entre outras, e assim era natural que a EMI e que Brian Epstein quisessem um sucesso para o mercado americano. John e Paul apareceram com "I Want to Hold Your Hand/I Saw Her Standing There", e dito e feito: em poucos meses, lá estavam os Beatles em 1° lugar nas paradas dos EUA, e indo para lá fazer uma turnê.


O sucesso deles não parava de crescer. As letras, o sex appeal, a presença de palco, o humor ácido nas entrevistas, tudo contribuía para a histeria das meninas. A cada novo compacto, a cada show, a cada entrevista que o quarteto dava, o sucesso aumentava. Depois de "Please, Please Me" (1963), vieram "With The Beatles" (1963), "A Hard Day's Night" (1964) (que proporcionou ao Fab Four a primeira experiência no cinema, num filme de mesmo nome), "Beatles for Sale" (1964), "Help!" (1965) (que também tem um filme homônimo), e a cada álbum que se passava, John e os outros beatles se renovavam musicalmente. Tinham influência da black music americana, do country, do rock clássico, e lá por 1965, acabaram por descobrir outra influência: as drogas.


Tirando as anfetaminas lá em Hamburgo, os Beatles se mantinham longe das drogas. Porém, foram apresentados à maconha por Bob Dylan nos EUA, em 1965. Daí, foram "evoluindo" lentamente para o LSD. "Rubber Soul" (1965), "Revolver" (1966), "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967), "Magical Mystery Tour" (1967) e até mesmo "Yellow Submarine" (1968) são amplamente influenciados pelo efeito das drogas. Se é possível que isso tenha tido um lado positivo, a criatividade da banda teve seu ápice nessa fase. John compôs extraordinariamente nessa época. Peças geniais como "Nowhere Man", "The Word", "I'm Only Sleeping", "Tomorrow Never Knows", "Lucy in the Sky with Diamonds", "A Day In The Life" e "I Am The Walrus" foram feitas nessa época.


Porém, o interesse dos Beatles pela cultura indiana (que começou com Harrison) fez com que eles largassem (ao menos momentaneamente) as drogas e fossem para um retiro na Índia. Grande parte do "The Beatles (White Album)" (1968) foi composto lá, e peças como "Julia" (sobre sua mãe), "Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey", "Revolution" e "Yer Blues" refletem a época vivida. Embora eles estivessem vivendo uma temporada de paz, o casamento de John com Cyn se desmantelava, e ele começava a ter um caso com uma artista plástica japonesa que havia conhecido há um tempo atrás, chamada Yoko Ono.


Assim que voltaram da Índia, Lennon se separou de Cynthia e começou a namorar com Yoko. As sessões para o White Album foram um inferno. Cada integrante gravava num estúdio, John andava com Ono pra lá e pra cá, brigas entre os integrantes eram comuns, e o álbum de letras pacíficas teve gravações que pareciam guerras.


A presença de Yoko sempre foi um fardo para Paul, George e Ringo. John não a tratava como sua esposa ou namorada, mas como se fosse parte dele. Ia com ela aonde fosse, até nas sessões de gravação. Isso irritava muito os outros, pois foi acordado desde sempre que apenas eles e George Martin ficavam no estúdio. Os Beatles continuavam a fazer um enorme sucesso, e mesmo com as constantes brigas, depois do White Album eles ainda lançaram antes do fim da banda "Yellow Submarine" (1968), "Abbey Road" (1969) e "Let It Be" (1970), discos realmente incríveis.


Porém, era claro que a banda iria acabar. Paul e John, antes amigos inseparáveis, agora brigavam constantemente pelo "domínio" da banda, que desde que Brian Epstein morrera (em 1967, numa overdose de remédios) não tinha uma liderança estabelecida.


No começo de 1970, os Beatles acabaram. Tudo acabou por explodir, George estava cheio das exigências de Paul e John, Ringo estava farto de tantas brigas, Paul estava cheio do descaso do resto da banda, e John estava cheio de tudo.


Assim que os Beatles acabaram, Lennon partiu para a carreira solo. Sucessos como "Imagine", "Cold Turkey", "Instant Karma" e "Power to the People" fizeram com que a carreira solo de John fosse gloriosa, e ele seguiu nela até 1975, quando Yoko engravidou.


Quando Sean Lennon nasceu, John abandonou a música para se dedicar ao seu filho. Foram quase 5 anos de retiro, e em 1980 John decidiu voltar a gravar um álbum (que seria o que se tornou o Double Fantasy). No dia 8 de dezembro de 1980, lá por 22:30, John estava voltando de uma sessão de gravações, quando foi abordado por um homem que havia lhe pedido um autógrafo mais cedo numa cópia de Double Fantasy. Ele e Yoko iam entrando em seu prédio, quando o tal homem, Mark David Chapman, deu 5 tiros, dos quais 4 acertaram Lennon. O homem segurava uma cópia de O Apanhador no Campo de Centeio, o Double Fantasy autografado e a arma. Chapman foi preso e condenado à perpétua.


Mas nada, nada vai substituir, justificar ou acalentar o que houve. Nada vai tirar da nossa cabeça o que poderia ter acontecido se este louco não tivesse cruzado o caminho de Lennon. Nada pode mudar o que aconteceu.


E hoje, quando John estaria completando 70 anos, nós não devemos ficar tristes ou culpar Chapman por tudo, mas devemos sim é comemorar. Comemorar, viver e reviver tudo o que Lennon fez, sua música, seus filmes, livros e fotos. E não pensar no que poderia ter acontecido, mas no que aconteceu. E, principalmente, semear a palavra de John, divulgar o que ele falou e fez, para tentar buscar a utopia que Lennon sempre buscou: A paz.
"you may say i'm a dreamer, but i'm not the only one, i hope someday you'll join us, and the world would live as one"

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